segunda-feira, 21 de maio de 2012

REFLEXÕES DE UM RADIALISTA EXCLUÍDO


Pensem em todos nós.
Nós somos os criminosos que os jornais e as grandes emissoras falam que somos?
É claro que não.
Nós somos os milhões e milhões de trabalhadores e artistas das rádios comunitárias de todas as cidades do Brasil.

Pensem em quanto somos injustiçados e perseguidos.
E pensem no quanto somos fortes.

Pensem também no quanto somos numerosos.
Numerosos e atuantes dentro da vida social, cultural, e religiosa das comunidades e regiões onde trabalhamos e exercemos o nosso radialismo alternativo.

Através deste manifesto conclamo a todos os “donos de emissoras alternativas”, que deixe de lado suas vaidades pessoais, as suas diferença pessoais ou ideológicas, e os seus interesses meramente financeiros, e criem associações, ou grupos, onde todos possam lutar pelo interesse comum, de todos nós.

Vamos deixar de sermos meras “locadoras de horários”, e vamos evoluir para verdadeiras emissoras de rádios alternativas, com nossas sedes, nossos centros culturais e nossos trabalhos de assistência social, e cultural por todo Brasil.

Vamos todos nos unir e nos encontrar em um congresso de emissoras de rádios alternativas para elaborarmos um anteprojeto com nossas propostas para apresentarmos ao governo federal.

Vamos apresentar não só para o governo federal, mas para toda a sociedade, o futuro projeto de lei para nossas emissoras, e vamos sair por todo o Brasil, buscar apoio de autoridades religiosas, autoridades culturais, e autoridades políticas, e mais : vamos buscar apoio popular, o apoio do povo, para que nosso projeto de lei, se torne lei, e que se acabe de vez com a perseguição ditatorial e injusta contra as nossas rádios comunitárias alternativas.


A Rádio Comunitária Alternativa não pode se acabar !

Pensem num mundo sem as rádios alternativas;
Uma sociedade ainda mais injusta, ainda mais fechada, ainda mais racista, ainda mais elitizada e ainda mais manipulada.
Ainda mais futebolizada.

Pensem em uma Matrix cultural.
Pensem em Nazismo cultural
Pensem em Apartheid cultural.
Assim é o Brasil, hoje.

Imaginem o povo sem um canal de vóz.
Este, é o povo brasileiro pobre.

Longe dos governantes.
Longe das autoridades.
Longe dos grandes artistas.
Longe dos radialistas.
Longe dos apresentadores.
Longe dos políticos.
Longe das grandes emissoras de rádio e televisão.
Longe dos bons empregos
Longe das concessões de rádio e televisão.

Esse é o “Mundo Real” em que vivemos.
Essa é a Sociedade Brasileira idealizada pela Classe Dominante,  pela Grande Mídia, e pelos, “ILUMINADOS”,E GLOBALISTAS, PREDADORES DE POVOS , Que domina o Brasil :Uma Sociedade onde parece não haver espaço para as CULTURAS TRIBALISTAS, Folclóricas, como as Culturas Indígenas, as Culturas Quilombolas “afros”, ou “conterrâneas”, ou as Culturas como a Cultura Caipira, a Cultura Congo, a Cultura Conterranea, a Cultura Afro-Brasileira “folclórica”, etc.


A imensa massa de brasileiros pobres e carentes (mais de 150 milhões) formada por trabalhadores (operários, artistas, lavradores) donas de casa, desempregados, prestadores de serviços, camelôs, ambulantes,etc., estaria ainda mais abandonada e desrespeitada, em seus direitos constitucionais, se não existisse por todo o Brasil, as emissoras, que eu conceitualmente defino por: rádios comunitárias alternativas, as futuras livres, regularizadas e populares RCA’s (RCA sol FM, RCA Terra FM, RCA Divisa FM, que pejorativamente, são hoje chamadas de “piratas”.

As nossas rádios comunitárias alternativas são, ou proporciona, um dos mais rápidos caminhos para a ascensão cultural dos nossos artistas pobres sem sucesso e sem apoio da “grande mídia”.

Da mesma forma, ao lado do ensino e das escolas públicas,ou dos cursos profissionalizantes, é também um dos mais rápidos, mais presente e democráticos caminhos para uma inclusão social, ou profissional, dos nossos cidadãos, e cidadãs abandonados e sem oportunidades.
O papel da rádio alternativa na formação da cívica, na conquista da cidadania e na defesa dos valores morais e éticos junto as populações carentes do interior das periferias das cidades, é infinitamente, mais consciente, e mais direto, que o exercido pelas “grandes emissoras”, (as chamadas “rádios oficiais”).

Nosso  povo sofre sem emprego, sem moradias, sem salários dignos, sem escolas, sem hospitais, e sem a proteção segura da lei, sem terra, sem oportunidades, e sem espaço no rádio e na TV.

Que nos resta então?

Só nos resta a fé em Deus, a nossa dignidade, a nossa capacidade e arte de vencer as dificuldades.
E as rádios alternativas.
É só o que nos resta.
Temos que lutar cada vez mais por nossos direitos; nós somos fortes e nunca devemos desistir.
Por sermos fortes, por termos a certeza de estarmos do lado do povo e de sermos apoiados pelo povo, eles nos persegue.
Por isso proíbem e fecham nossos meios de comunicação que idealizamos.
Tal como fazem com os nossos comércios, nossas bancas de camelôs, e com nossos bares e salões.





No Brasil se tratando de rádio comunitária alternativa, a tal da “exclusão radiofônica” é altamente democrática.

A perseguição e as campanhas de difamação e calúnias movida por um determinado grupo de “grandes emissoras”, contra nós, não poupa ou respeita ninguém: caipiras, sambistas, forrozeiros, regueiros, repeiros, evangélicos, católicos, espíritas, candomblecistas, políticos, comerciantes, etc.

Não só nós sabemos, mais a população em geral também sabe:
 A campanha de perseguição e de fechamento em massa, e até de prisões arbitrarias, movida contra as populares, honestas, cívicas e trabalhadoras rádios alternativas não é justa, nunca foi justa, e não tem um mínimo de simpatia por parte da população em geral.

O fato de tratar as emissoras alternativas, seus trabalhadores, seus artistas, e seus apoiadores (ou patrocinadores) como:
Bandidos, terroristas, “derrubadores de aviões”, “desafiadores da lei”, etc., está causando uma grande sensação de nojo, na população, repulsa, e revolta contra as grandes emissoras de rádio e televisão, seus radialistas e jornalistas, contra a agência nacional de telecomunicações e contra o governo federal.

Fato: o povo não apóia a perseguição que eles fazem contra nós.

Tal fato é de fácil constatação.
E a persistência desta covarde campanha de “caça ás bruxas” esta prestes a desencadear uma irrefreável comoção popular envolvendo milhões de pessoas, que estão literalmente “revoltadas” com a criminosa campanha de perseguição das grandes emissoras contra as rádios comunitárias.

Essa “campanha veiculada em grandes emissoras” é encabeçada (em São Paulo) pela rádio Bandeirantes, que todos os dias destila o seu ódio religioso, e cultural contra nós, que mais usamos as emissoras alternativas, os nordestinos, os evangélicos, os sertanejos, etc..

Pelo lado dos radialistas “oficiais” das grandes rádios, eu tenho sérias dúvidas se eles realmente apóiam a campanha de perseguição.

Com exceção de “alguns”, ligados ideologicamente a algumas emissoras mais perseguidoras, eu creio que existem milhares de radialistas que silenciosamente apóiam a nossa causa.

O mais preocupante, é o apoio que as autoridades do governo federal dão, às emissoras que nos perseguem, apoiadas pelo ministério das telecomunicações, que com a sua omissão em criar uma lei justa para todos, cria um clima de comoção social sem retorno, em defesa das nossas populares, e integradas emissoras alternativas, que desde que surgiram, no inicio dos anos 90, foram adotadas pela sociedade, que não as condena, (de forma alguma), enquanto rádio comunitárias “clandestinas”, ou “piratas, como eles nos chama.

Por culpa da omissão do governo federal em “considerar” as rádios não-homologadas como “fora-da-lei” e “derrubadoras de avião”, tratando-as simplesmente como “covil de terroristas e bandidos”, em vez de negociar, ou discutir conosco uma lei especial para as “rádios alternativas comunitárias”, nós somos obrigados a criar “mecanismos de defesa” para poder servir a população e os artistas que nos procuram, dentro da nossa tradicional e única forma que nos resta:


Alterando a potência dos nossos transmissores, não para confrontar a lei, mais por puro instinto de sobrevivência, para manter o nosso trabalho, para não deixar que morra este veiculo de comunicação chamada “rádio alternativa” (que autoridades fazem de conta que não existe) e que conta com milhares de empregados por todos os estados brasileiros.
Ao todo são milhares de emissoras por todo o país; são milhares de trabalhadores envolvidos diretamente; milhões de pessoas que trabalham ou necessitam de travar relações comerciais, sociais, culturais e religiosas, com nossas emissoras.
Uma comunicação que chega a envolver dezenas de milhões de pessoas por todo o Brasil.
Milhões de ouvintes, artistas musicais, locutores e radialistas, jornalistas, religiosos, católicos, evangélicos etc., empresários artísticos, comerciantes, políticos e muito mais.

Enquanto o governo federal se silencia, em claro desrespeito a estes milhões de brasileiros que exigem uma lei para as emissoras alternativas, o ministério das telecomunicações envia a policia federal e as policias civis de todo o país numa “caçada” tão feroz aos trabalhadores das rádios comunitárias, como jamais foram, ou serão, tão eficazes em prender os verdadeiros bandidos, terroristas, e corruptos que ameaçam a nossa pátria e a nossa soberania.

Nenhum comentário:

Postar um comentário