Pensem em
todos nós.
Nós somos os
criminosos que os jornais e as grandes emissoras falam que somos?
É claro que
não.
Nós somos os milhões e
milhões de trabalhadores e artistas das rádios comunitárias de todas as cidades
do Brasil.
Pensem em quanto somos injustiçados
e perseguidos.
E pensem no quanto somos fortes.
Pensem também no quanto somos
numerosos.
Numerosos e atuantes dentro da vida
social, cultural, e religiosa das comunidades e regiões onde trabalhamos e
exercemos o nosso radialismo
alternativo.
Através deste manifesto conclamo a
todos os “donos de emissoras alternativas”, que deixe de lado suas vaidades
pessoais, as suas diferença pessoais ou ideológicas, e os seus interesses
meramente financeiros, e criem associações, ou grupos, onde todos possam lutar
pelo interesse comum, de todos nós.
Vamos deixar de sermos meras
“locadoras de horários”, e vamos evoluir para verdadeiras emissoras de rádios
alternativas, com nossas sedes, nossos centros culturais e nossos trabalhos de
assistência social, e cultural por todo Brasil.
Vamos todos nos unir e nos encontrar
em um congresso de emissoras de rádios alternativas para elaborarmos um anteprojeto com nossas propostas para
apresentarmos ao governo federal.
Vamos apresentar não só para o
governo federal, mas para toda a sociedade, o futuro projeto de lei para nossas emissoras, e vamos sair por todo o
Brasil, buscar apoio de autoridades religiosas, autoridades culturais, e
autoridades políticas, e mais : vamos buscar apoio popular, o apoio do povo,
para que nosso projeto de lei, se torne lei, e que se acabe de vez com a
perseguição ditatorial e injusta contra as nossas rádios comunitárias
alternativas.
A Rádio Comunitária
Alternativa não pode se acabar !
Pensem num mundo sem as rádios alternativas;
Uma sociedade ainda mais injusta,
ainda mais fechada, ainda mais racista, ainda mais elitizada e ainda mais
manipulada.
Ainda mais futebolizada.
Pensem em uma Matrix cultural.
Pensem em Nazismo
cultural
Pensem em Apartheid
cultural.
Assim é o Brasil,
hoje.
Imaginem o povo sem um canal de vóz.
Este, é o povo brasileiro pobre.
Longe dos governantes.
Longe das autoridades.
Longe dos grandes artistas.
Longe dos radialistas.
Longe dos apresentadores.
Longe dos políticos.
Longe das grandes emissoras de rádio
e televisão.
Longe dos bons empregos
Longe das concessões de rádio e
televisão.
Esse é o “Mundo Real” em
que vivemos.
Essa é a Sociedade Brasileira
idealizada pela Classe Dominante, pela Grande Mídia, e pelos, “ILUMINADOS”,E GLOBALISTAS, PREDADORES
DE POVOS , Que domina o Brasil :Uma Sociedade onde parece não haver
espaço para as CULTURAS TRIBALISTAS, Folclóricas, como as Culturas Indígenas, as Culturas Quilombolas “afros”,
ou “conterrâneas”, ou as Culturas como a Cultura Caipira, a Cultura Congo, a
Cultura Conterranea, a Cultura Afro-Brasileira “folclórica”, etc.
A imensa
massa de brasileiros pobres e carentes (mais
de 150 milhões) formada por trabalhadores (operários, artistas, lavradores)
donas de casa, desempregados, prestadores de serviços, camelôs, ambulantes,etc.,
estaria ainda mais abandonada e desrespeitada, em seus direitos
constitucionais, se não existisse por todo o Brasil, as emissoras, que eu
conceitualmente defino por: rádios
comunitárias alternativas, as futuras livres, regularizadas e populares
RCA’s (RCA sol FM, RCA Terra FM, RCA Divisa FM, que pejorativamente, são hoje
chamadas de “piratas”.
As nossas rádios
comunitárias alternativas são, ou proporciona, um dos mais rápidos caminhos
para a ascensão cultural dos nossos artistas pobres sem sucesso e sem apoio
da “grande mídia”.
Da mesma
forma, ao lado do ensino e das escolas públicas,ou dos cursos profissionalizantes,
é também um dos mais rápidos, mais presente e democráticos caminhos para uma inclusão
social, ou profissional, dos nossos cidadãos, e cidadãs abandonados e
sem oportunidades.
O papel da rádio alternativa na formação da cívica,
na conquista da cidadania e na defesa dos valores
morais e éticos junto as populações
carentes do interior das periferias das cidades, é infinitamente, mais consciente, e mais direto, que o exercido pelas
“grandes emissoras”, (as chamadas
“rádios oficiais”).
Nosso povo sofre sem emprego, sem moradias, sem salários
dignos, sem escolas, sem hospitais, e sem a proteção segura da lei, sem terra,
sem oportunidades, e sem espaço no rádio e na TV.
Que nos
resta então?
Só nos resta a fé em Deus, a nossa
dignidade, a nossa capacidade e arte de vencer as dificuldades.
E as rádios
alternativas.
É só o que nos resta.
Temos que lutar cada vez mais por
nossos direitos; nós somos fortes e nunca devemos desistir.
Por sermos fortes, por
termos a certeza de estarmos do lado do povo e de sermos apoiados pelo povo,
eles nos persegue.
Por isso proíbem e
fecham nossos meios de comunicação que idealizamos.
Tal como fazem com os
nossos comércios, nossas bancas de camelôs, e com nossos bares e salões.
No Brasil
se tratando de rádio comunitária alternativa, a tal da “exclusão radiofônica” é altamente democrática.
A
perseguição e as campanhas de difamação e calúnias movida por um determinado
grupo de “grandes emissoras”, contra nós, não poupa ou respeita ninguém: caipiras, sambistas, forrozeiros,
regueiros, repeiros, evangélicos, católicos, espíritas, candomblecistas,
políticos, comerciantes, etc.
Não só nós
sabemos, mais a população em geral também sabe:
A campanha de perseguição e de fechamento em
massa, e até de prisões arbitrarias, movida contra as populares, honestas,
cívicas e trabalhadoras rádios alternativas não é justa, nunca foi justa, e não
tem um mínimo de simpatia por parte da população em geral.
O fato de
tratar as emissoras alternativas, seus trabalhadores, seus artistas, e seus
apoiadores (ou patrocinadores) como:
Bandidos, terroristas, “derrubadores
de aviões”, “desafiadores da lei”, etc., está causando uma grande sensação de nojo, na população,
repulsa, e revolta contra as grandes emissoras de rádio e televisão, seus
radialistas e jornalistas, contra a agência nacional de telecomunicações e
contra o governo federal.
Fato: o povo não apóia a perseguição
que eles fazem contra nós.
Tal fato é
de fácil constatação.
E a
persistência desta covarde campanha de “caça ás bruxas” esta prestes a desencadear
uma irrefreável comoção popular
envolvendo milhões de pessoas, que estão literalmente “revoltadas” com a criminosa campanha de perseguição das
grandes emissoras contra as rádios comunitárias.
Essa
“campanha veiculada em grandes emissoras” é encabeçada (em São Paulo ) pela rádio
Bandeirantes, que todos os dias destila o seu ódio religioso, e cultural contra nós, que mais usamos as emissoras
alternativas, os nordestinos, os evangélicos, os sertanejos, etc..
Pelo lado
dos radialistas “oficiais” das grandes
rádios, eu tenho sérias dúvidas se eles realmente apóiam a campanha de
perseguição.
Com exceção
de “alguns”, ligados ideologicamente a algumas emissoras mais perseguidoras, eu
creio que existem milhares de radialistas que silenciosamente apóiam a nossa
causa.
O mais
preocupante, é o apoio que as autoridades do governo federal dão, às emissoras
que nos perseguem, apoiadas pelo ministério das telecomunicações, que com a sua
omissão em criar uma lei justa para todos, cria um clima de comoção social sem retorno, em defesa das nossas populares,
e integradas emissoras alternativas, que desde que surgiram, no inicio dos
anos 90, foram adotadas pela sociedade, que não as condena, (de forma alguma),
enquanto rádio comunitárias “clandestinas”, ou “piratas, como eles nos chama.
Por culpa
da omissão do governo federal em “considerar” as rádios não-homologadas como
“fora-da-lei” e “derrubadoras de avião”, tratando-as simplesmente como “covil de terroristas e bandidos”, em
vez de negociar, ou discutir conosco uma lei
especial para as “rádios alternativas comunitárias”, nós somos obrigados a
criar “mecanismos de defesa” para poder servir a população e os artistas que
nos procuram, dentro da nossa tradicional e única forma que nos resta:
Alterando a potência dos nossos
transmissores, não para confrontar a lei, mais por puro instinto de
sobrevivência, para manter o nosso trabalho, para não deixar que morra este
veiculo de comunicação chamada “rádio alternativa”
(que autoridades fazem de conta que não existe) e que conta com milhares de
empregados por todos os estados brasileiros.
Ao todo são milhares de emissoras
por todo o país; são milhares de trabalhadores envolvidos diretamente; milhões
de pessoas que trabalham ou necessitam de travar relações comerciais, sociais,
culturais e religiosas, com nossas emissoras.
Uma comunicação que chega a envolver
dezenas de milhões de pessoas por todo o Brasil.
Milhões de ouvintes, artistas
musicais, locutores e radialistas, jornalistas, religiosos, católicos,
evangélicos etc., empresários artísticos, comerciantes, políticos e muito mais.
Enquanto o
governo federal se silencia, em claro desrespeito a estes milhões de
brasileiros que exigem uma lei para as emissoras alternativas, o ministério das
telecomunicações envia a policia federal e as policias civis de todo o país
numa “caçada” tão feroz aos trabalhadores das rádios comunitárias, como jamais
foram, ou serão, tão eficazes em prender os verdadeiros bandidos, terroristas,
e corruptos que ameaçam a nossa pátria e a nossa soberania.
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